Estrutura genética e demográfica do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) na costa do Brasil

Nome: LUCAS ALVES VIANNA
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 21/02/2013
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Valéria Fagundes Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Albert David Ditchfield Examinador Interno
José Francisco de Oliveira Neto Examinador Externo
Valéria Fagundes Orientador

Resumo: O caranguejo Ucides cordatus, popularmente conhecido no Brasil como caranguejo-uçá, é encontrado em manguezais desde o estado de Santa Catarina até a Flórida, nos Estados Unidos. No Brasil, a grande demanda por esta espécie na indústria alimentícia é a causa da cata de várias toneladas de indivíduos todos os anos. Somados a este fator, a destruição dos manguezais e o surgimento de uma doença letal vêm sendo apontados como agentes causadores de severas reduções nos estoques naturais de U. cordatus. Uma vez que reduções populacionais severas tendem a provocar eventos de efeito gargalo e, consequentemente, redução da aptidão dos indivíduos ao longo do tempo, estudos de genética de populações que se dediquem a entender o padrão da distribuição genética, quantificar o fluxo gênico e avaliar as tendências demográficas das populações, são essenciais na elaboração de estratégias de manejo e de conservação. Portanto, neste trabalho, utilizamos sequências de 568 pb da subunidade 1 do gene mitocondrial citocromo c oxidase de 181 espécimes de U. cordatus coletados em 15 localidades ao longo da costa brasileira, entre os estados de Santa Catarina e Maranhão, que compreendem praticamente toda a região de ocorrência da espécie no Brasil. Do total de sequências, 80 haplótipos foram revelados, caracterizando uma elevada diversidade haplotípica (h=0,925). Por outro lado, a diversidade nucleotídica foi baixa (π =0,00462), dada a diferença de poucos pares de bases entre os haplótipos. A relação hierárquica entre os haplótipos não demonstrou nenhuma estruturação geográfica da diversidade genética. Além disso, a análise de variância molecular e os valores da estatística-Φ (Φst=0,00231) revelaram que a maior parte da variação genética em U. cordatus está contida no nível intrapopulacional (98,8%), e apenas uma fração sutil entre os grupos de populações (2,5%). Os valores de Fs de Fu e D de Tajima revelaram-se negativos, indicando que as populações de U. cordatus sofreram eventos de expansão populacional recente. Este cenário também foi confirmado através da análise de mismatch distribution, na qual distribuições unimodais foram encontradas para todas as populações. Nossos dados são concordantes com trabalhos prévios que indicam que o fluxo gênico em U. cordatus é suficientemente amplo a fim de produzir homogeneidade genética entre as populações. Este perfil é condizente com a estratégia de exportação das larvas desta espécie para alto mar, no qual fatores oceanográficos, como correntes marinhas, podem agir de forma a ampliar a dispersão destas formas imaturas.

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